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Além dos Livros: o peso do estresse e o bruxismo na vida universitária

Por Igor Ferreira Borba de Almeida
Doutor em Saúde Coletiva, especialista em Dentística Restauradora e professor do Centro Universitário Anísio Teixeira (UNIFAT)

A rotina acadêmica é, por natureza, desafiadora. Entre prazos de entregas, provas e a pressão por um futuro profissional, o corpo muitas vezes encontra formas silenciosas de manifestar o esgotamento. Um dos sinais mais frequentes, porém, pouco discutido nos estudantes universitários, é o bruxismo.

Para entender como esse distúrbio afeta a vida de nossos estudantes, compilei os dados mais recentes das fontes científicas para uma conversa esclarecedora sobre o tema, incluindo dicas práticas para o autocuidado.

O que é exatamente o bruxismo e como ele se manifesta?

O bruxismo é um distúrbio psicofisiológico caracterizado pela atividade repetitiva dos músculos da mastigação, que resulta no apertamento ou ranger dos dentes. Ele pode ocorrer tanto durante o sono quanto durante o dia, o chamado bruxismo em vigília. Entre os sinais mais comuns estão a sensibilidade dentária, dores de cabeça, mialgia facial, dor de ouvido e rigidez nos ombros. Em casos persistentes, pode levar ao desgaste e quebra dos dentes e à Disfunção da Articulação Temporomandibular (DTM).

Por que os universitários parecem ser um grupo tão vulnerável a esse problema?

As fontes indicam que jovens universitários têm maior probabilidade de desenvolver o bruxismo devido ao estilo de vida. O estudo aponta que os fatores de maior prevalência são o estresse e a ansiedade. O bruxismo chega a ser descrito como uma “válvula de estresse psíquico”, uma tentativa do organismo de mitigar transtornos psicossomáticos induzidos pela pressão externa.

Existe alguma diferença de perfil ou outros gatilhos que devemos observar?

Sim. A proporção de participantes do sexo feminino com bruxismo é significativamente maior (64,63%) em comparação aos homens (35,36%). Além do fator emocional, o consumo de álcool e tabaco também está associado à condição.

Como podemos controlar o hábito de apertar os dentes durante as horas de estudo?

Como o estresse é um fator primordial — com adultos estressados tendo até cinco vezes mais chances de desenvolver o bruxismo — o foco deve ser o relaxamento e o policiamento constante. Para o bruxismo em vigília, uma ferramenta muito útil é o aplicativo Desaperte (https://play.google.com/store/apps/details?id=com.desencoste&hl=pt_BR&pli=1.) Ele funciona enviando lembretes periódicos para o celular, avisando o usuário para desencostar os dentes e relaxar a mandíbula. É uma forma tecnológica de treinar o cérebro para quebrar o ciclo de apertamento involuntário enquanto estamos concentrados.

Qual o conselho final para quem sente que está “descarregando” a tensão nos dentes?

O autodiagnóstico é o primeiro passo. Observe se há fadiga muscular ao acordar ou dor facial durante o dia. Buscar auxílio conjunto entre dentista e psicólogo é essencial para evitar danos permanentes à dentição e garantir a qualidade de vida durante a graduação.

A Clínica de Odontologia da UNIFAT está preparada para diagnosticar, tratar e encaminhar casos de bruxismo, oferecendo cuidado qualificado e humanizado. Estamos funcionando no Prédio de Laboratórios da UNIFAT de segunda a sexta-feira nos turnos vespertino e noturno. Será um prazer cuidar de você.!

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